Chita: o tecido viajante
Você sabia que a chita nasceu na Índia? Conheça a origem do tecido que virou símbolo das festas juninas brasileiras.
Antes de ser brasileira, indiana.
Antes de estampar as saias das sambadeiras, as casas e as barracas de festa junina, a chita já tinha rodado o mundo. Suas origens remontam à Índia medieval, onde era conhecida como chintz, um tecido de algodão com estampas florais que encantou primeiro as cortes europeias antes de cruzar o Atlântico. Ela chegou ao Brasil trazida pelos portugueses na segunda metade do século 19, num momento em que a indústria têxtil nacional começava a tomar forma própria.
É essa travessia — Índia, Europa, Brasil — que o estilista mineiro Ronaldo Fraga e a ilustradora Anna Göbel resgatam em “Uma Festa de Cores: Memórias de um Tecido Brasileiro“. O livro tem uma escolha narrativa linda: a história é contada em primeira pessoa pela própria chita, que narra sua origem e fala de seus antepassados indianos como quem reconta a árvore genealógica da própria família. No caminho, ela apresenta os parentes que ganhou em solo brasileiro — o chitão, de flores maiores, e a chitinha, de flores miúdas — provando que, por aqui, o tecido se multiplicou.
Da roça à passarela: a chita que recusa rótulo

Se a chita tem uma genialidade, é a de nunca aceitar ficar num lugar só. Foi objeto de desejo das elites europeias e, no Brasil, circulou por todas as classes sociais ao mesmo tempo, com significados diferentes para cada uma. Essa dualidade é exatamente o que atrai estilistas até hoje: Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Ronaldo Fraga, Isabela Capeto e Lino Villaventura já levaram a chita às passarelas, cada um traduzindo o tecido com seu próprio vocabulário.
Talvez, essa capacidade de transitar — da toalha de mesa da cozinha mineira ao desfile de alta-costura — que torna a chita tão simbólica na cultura popular brasileira.
A chita em festa, ao vivo
Junho e julho são, sem dúvida, o melhor momento para ver a chita brilhando. É a estampa oficial das festas juninas em todo o país, da decoração às roupas de quadrilha — e há algo de poético nisso que poucos param para notar: a estampa que veste o arraiá brasileiro carrega, em cada flor estampada, um pedaço da Índia medieval que a originou. Não é exagero. É genealogia de tecido.
E foi assim que ela se tornou protagonista da nossa própria festa: a Festa Junina da Terramundi. Se a chita é a prova viva de que uma viagem pode atravessar séculos e continentes e ainda assim chegar em casa, talvez seja hora de fazer o caminho inverso — e ir até onde tudo começou.


Por que viajar para a Índia com a Terramundi é diferente
Além da rota comum
O Taj Mahal faz o queixo de qualquer viajante cair. Isso é fato. Mas a Índia que a gente conhece começa onde os roteiros convencionais terminam: reviver a história da independência indiana na cerimônia Beating Retreat, na fronteira com o Paquistão; se aventurar de rafting onde nasce o Ganges; avistar o leopardo-das-neves no Parque Nacional Hemis; ou se hospedar em propriedades coloniais para mergulhar na cultura do chá em Darjeeling.
Para viajantes curiosos, com tempo para se aprofundar, há caminhos menos óbvios que transformam completamente a experiência. A Terramundi conhece esses caminhos — os mesmos, aliás, que um dia levaram um tecido de algodão estampado a cruzar oceanos e se tornar brasileiro — e sabe como abri-los para você.