Dia da Amazônia: o que a ciência (ainda) está descobrindo sobre a floresta que você pode visitar
Viajar para a Amazônia no Dia da Amazônia é redescobrir uma floresta que a ciência ainda está desvendando — com espécies novas, hotéis premiados e turismo consciente.
A Amazônia é um organismo vivo que segue revelando segredos, inclusive para quem estuda a floresta há décadas. Viajar para a Amazônia é, de certa forma, entrar em uma das últimas grandes áreas do planeta onde a descoberta científica ainda acontece em tempo real.
Uma data nascida de um decreto imperial
O Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro, data instituída pela Lei nº 11.621, de 2007, com o objetivo de aproximar as pessoas da importância da maior floresta tropical do planeta e de sua biodiversidade. A escolha da data, no entanto, é ainda mais antiga: remonta a 1850, quando D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas — hoje o estado do Amazonas.
Curiosamente, a data comemorativa oficial brasileira é diferente do Dia Internacional da Floresta Amazônica, celebrado em setembro por outros países da região — um pequeno detalhe que revela como a Amazônia, apesar de ser tratada como um bioma único, é também uma colcha de fronteiras, línguas e calendários. Ao todo, o bioma cobre 61,9% do território brasileiro e se estende por mais sete países sul-americanos, do Peru à Guiana Francesa.
A floresta que a ciência ainda está aprendendo a conhecer


O que mais surpreende quem estuda a Amazônia não é o tamanho da floresta — é o quanto dela permanece desconhecido. Só nos últimos meses, uma sequência de descobertas científicas reforçou esse ponto.
No Amazonas, pesquisadores do Instituto Mamirauá descreveram duas novas espécies de inseto: um grilo batizado de Oecanthus buxixu, encontrado na Reserva Amanã, e uma esperança predadora chamada Spinaraptor taja, cujo nome científico faz referência aos espinhos usados para capturar presas. Já no extremo norte do país, dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina — território sobreposto à terra indígena Yanomami —, cientistas identificaram um novo gênero de caranguejo de água doce. O crustáceo recebeu o nome Okothelphusa trefauti, unindo a palavra Yanomami para “caranguejo” ao termo científico para espécies de água doce, em uma descoberta construída em parceria direta com o conhecimento tradicional do povo local.
Há ainda descobertas que reescrevem o que já achávamos que sabíamos: em 2024, análises genéticas revelaram que a sucuri-verde é, na verdade, duas espécies distintas — uma delas, a Eunectes akayima, pode ultrapassar seis metros de comprimento. É um lembrete e tanto de que até a megafauna amazônica ainda guarda surpresas.
Luxo com propósito: quando a hospedagem também é pesquisa

Se a ciência amazônica vive um momento de efervescência, o turismo de alto padrão na região acompanha esse movimento — e com reconhecimento internacional recente. Em 2026, o Cristalino Lodge, em Alta Floresta (MT), tornou-se o único hotel brasileiro a integrar a lista dos 50 melhores hotéis de luxo do mundo da revista Robb Report, ao lado de propriedades históricas e refúgios isolados de todos os continentes. A publicação elogiou a localização privilegiada no coração da Amazônia mato-grossense e destacou o hotel como um retiro cinco estrelas que tem a conservação ambiental como um de seus pilares centrais.
O lodge nasceu, aliás, de um gesto de proteção: fundado por Vitória da Riva para salvar uma área da bacia do Rio Cristalino ameaçada pelo desmatamento, o projeto deu origem à Reserva Natural Cristalino, que hoje preserva mais de 11 mil hectares de floresta. Os hóspedes dormem em bangalôs de madeira certificada, cercados por uma das áreas de maior biodiversidade documentada do planeta — muitas vezes sem saber que, a poucos passos dali, uma espécie ainda sem nome científico pode estar sendo observada por um pesquisador de campo.
No Amazonas, outra referência é o Anavilhanas Jungle Lodge, às margens do Rio Negro, de frente para o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. O parque nacional que lhe dá o nome integra a Reserva da Biosfera da Amazônia Central, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. O hotel une design contemporâneo, gastronomia amazônica autoral e uma pegada de baixo impacto — a prova de que sofisticação e floresta preservada não são conceitos opostos, mas complementares.
A Expedição Katerre navega o Rio Negro até o Arquipélago de Anavilhanas em barcos regionais de até 3 andares.
Quando viajar para a Amazônia

Para quem está planejando viajar para a Amazônia, o período entre junho e novembro costuma ser o mais indicado: é a estação seca, com rios em nível mais baixo, praias fluviais expostas e trilhas mais acessíveis para observação de fauna. Já viajar em setembro — justamente no mês em que se celebra o Dia da Amazônia — coincide com dias mais claros e uma das melhores janelas do ano para avistar botos, aves e a vegetação da várzea em plena atividade.
Um convite para observar
O Dia da Amazônia não é apenas uma data no calendário — é um convite para lembrar que ainda existem espécies sem nome, rios sem mapa detalhado e histórias que a ciência está, literalmente, descobrindo agora. Viajar para a Amazônia com esse olhar transforma a experiência: cada trilha, cada noite sob o dossel da floresta, cada prato servido com ingredientes locais passa a fazer parte de uma rede maior de conservação e conhecimento.
Se você quer viver essa experiência com o conforto e a curadoria que a Amazônia merece, fale com a gente e comece a planejar.