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África pelo mundo: heranças de um continente diverso


terramundi - 8 de março de 2017 - 0 comments

Somos todos africanos! Berço da humanidade, a Mãe África sempre inspirou o mundo e compartilhou suas riquezas, entre elas uma de imenso valor: sua cultura. Na plural mistura do povo africano com outros povos ao redor do planeta nasceram milhares de manifestações culturais, crenças e tradições repletas de tempero, alegria e ritmo.

 

Dança

Os africanos trouxeram para a América Latina seu jeito único de dançar, com intensos movimentos de quadris, ombros e pernas. Assim, a salsa e a rumba surgiram em Cuba na combinação da sensualidade africana com a enérgica música espanhola, e o tango evoluiu a partir do Candomblé junto às danças europeias.

 

As primeiras rodas de samba apareceram no Rio de Janeiro, na fusão de elementos do batuque africano com a polca e o maxixe e, nos Estados Unidos, o sapateado, lindy hop, charleston, funk, disco até as danças mais atuais como hip hop e break-dancing também contaram com a vibração da África.

 

A capoeira é uma das expressões da cultura afro-brasileira que merece mais destaque, unindo artes marciais com ginga, dança e música. Foi criada pelos negros na época do Brasil Colonial permanecendo viva até hoje e reconhecida por todo o mundo. Nela são encenados golpes e movimentos acompanhados pela música dos capoeiristas que ficam na roda batendo palma no ritmo do berimbau e cantando enquanto outros dois jogam a capoeira com muita energia.

 

Música

Os pulsantes sons da África influenciaram muito a música popular brasileira. Os batuques, que no continente fazem parte de cerimônias religiosas e festividades, deram origem ao maxixe, maracatu, samba, choro e à aclamada bossa nova. Junto ao berimbau da capoeira também há outros instrumentos brasileiros com raiz africana, a maioria de percussão, como o tambor, atabaque, cuíca, afoxé, agogô, maracas, marimba e alguns tipos de flauta. A música cubana foi premiada com a influência africana no surgimento da rumba, e em Trinidad e Tobago o calypso ganhou vida.

 

O blues veio da África para os Estados Unidos e era tocado pelas mãos dos trabalhadores das plantações de algodão do sul, que também entoavam seus fortes cantos durante o trabalho. Nos juke joints, bares nas estradas administrados por africanos, era possível ouvir e dançar o blues regado a jogos e bebidas.  Após a Guerra Civil, eles passaram a divulgar o ritmo em outras partes do território americano e, com o tempo, o blues tornou-se a principal fonte de inspiração para vários dos clássicos gêneros musicais americanos: jazz, soul, disco, country e rock and roll. Com a temática da crítica social, o reggae e o hip hop, incluindo o rap, também passaram por influências dos ritmos africanos.

 

Religião

As religiões do povo africano em contato com as culturas das Américas deram luz a várias outras crenças, como o Candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos Orixás, e a Umbanda, religião sincrética que mistura elementos africanos com o Catolicismo e o Espiritismo. O Vodu também ganhou adeptos em Cuba, na República Dominicana, Haiti e Louisiana, nos Estados Unidos. Na Jamaica, as religiões afro-americanas mais praticadas são Obeah, que também cultua os ancestrais africanos e Kumina, que mescla religião, música e dança originadas do Congo.

 

Culinária

A culinária brasileira é muito rica graças a vasta criatividade africana. Eles trouxeram para nossas terras temperos muito apreciados como pimentas, leite de coco e azeite de dendê, e com eles descobrimos o feijão preto e aprendemos a fazer a feijoada, acarajé, vatapá, caruru, e muitos pratos deliciosos com milho, como canjica, angu, pamonha e cuscuz.

 

Nos Estados Unidos, surgiram as chamadas soul foods, comidas de influência africana, com destaque para frango e peixe fritos, diversos preparos do porco como costela e pés, black eyed peas, as famosas ervilhas servidas com porco defumado e pão de milho, e vegetais como couve, mostarda, quiabo e batata doce. As tortas americanas também são heranças dos africanos que ali passaram, como a tradicional receita feita com batata doce e o cobbler, preparado com pêssegos.

 

Festas

Muitas festas brasileiras têm origens nas tradições africanas, entre elas a mais famosa e colorida de todas, o Carnaval, com muito samba e frevo. Também com muita cor, o Maracatu de Pernambuco mistura as culturas indígenas, africanas e europeias e o Bumba-meu-boi é uma encenação de uma lenda criada por africanos sobre a morte e ressurreição de um boi, celebrada com dança, música, teatro e circo.

 

De cunho religioso, a Festa de Iemanjá é comemorada por todo o país, com a entrega das oferendas para a Rainha do Mar nas praias, e a Folia de Reis, muito prestigiada em Minas Gerais, se espelha na jornada dos Três Reis Magos em busca de Jesus com músicos entoando canções que beberam na fonte dos ritmos africanos junto a atores, dançarinos e palhaços.

 

Na América do Norte surgiram muitos festivais que celebram a cultura negra, desde a música até dança e cinema, como o Afro Punk Fest em Nova York, Black Dance USA em Saint Louis, American Black Film em Miami, o New Orleans Jazz and Heritage Festival e o Chicago Blues Festival.

 

Idioma

A cultura brasileira foi premiada com muitas palavras que tiveram origem na mescla do vocabulário africano com o português, desde nomes de comidas e manifestações culturais até adjetivos e verbos que tornaram nossa língua muito mais rica, como: acarajé, axé, babá, berimbau, búzios, cachaça, caçula, cafuné, Candomblé, canjica, capoeira, dendê, empacar, farofa, fofoca, fubá, gogó, Iemanjá, miçanga, maracatu, mingau, mochila, moleque, nenê, pamonha, quindim, samba, tagarela, tango, tutu, vatapá, xodó e zangar.

 

Nos Estados Unidos, algumas palavras incorporadas ao inglês americano também foram originadas pela influência dos africanos no país como banjo, chemistry, chimpanzee, dengue, ebony, gnu, impala, jumbo, marimba, safari, tilapia, vuvuzela, zebra e zombie. Há uma variedade do inglês falada por afro-americanos chamada inglês vernáculo, popularmente conhecida por inglês negro ou Ebonics, de pronúncia similar à língua ouvida nos estados do sul.

 

Visite a África!

Deu para perceber o quanto nossos irmãos africanos contribuíram para um mundo mais rico em vários sentidos, não é? E que tal conhecer onde tudo isso começou? Uma viagem à África nos transforma e nos faz perceber a importância do continente para o mundo. Por lá você pode viver uma imersão cultural nas tribos de tradições milenares, admirar a alegria africana em uma roda de dança e música com os batuques do djembê, maravilhar-se em um show de jazz e nos diversos festivais culturais, além dos deliciosos restaurantes e vinícolas que vêm ganhando os olhos do mundo.

Confira aqui dicas para onde ir na África ao longo de todas as estações do ano!

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