Huka Lodge: o refúgio da rainha na Nova Zelândia
Cem anos de história, quatro visitas da rainha Elizabeth II e um rio azul-turquesa: conheça o Huka Lodge e inclua o lodge na sua viagem para a Nova Zelândia.
O Huka Lodge, na Ilha Norte da Nova Zelândia, é um endereço com cem anos de causos, uma rainha fiel e um rio tão azul que parece de conto de fadas.
Tudo começou com barracas de lona
Em 1924, um irlandês chamado Alan Pye armou algumas barracas de lona branca na beira do rio Waikato. A ideia era simples: receber pescadores atrás das trutas que abundavam por ali. Durante décadas, o lugar foi um segredo bem guardado entre quem entendia de anzol.
A virada veio em 1984, quando Alex van Heeren comprou a propriedade e decidiu transformá-la num lodge digno de uma rainha. Deu tão certo que a rainha veio mesmo. Elizabeth II se hospedou no Huka Lodge quatro vezes, e o retrato dela ainda recebe os hóspedes na entrada. O lugar preferido dela para jantar? A biblioteca.
Um lodge de luxo com alma de casa de campo

O Huka Lodge fica em meio a 17 acres de jardins, 300 metros rio acima das Huka Falls. São só 20 suítes espalhadas ao longo do rio, todas com lareira, teto alto com vigas de madeira e terraço de frente para a água. Para famílias ou grupos, há duas casas exclusivas: a Alan Pye Cottage, com cozinha e piscina aquecida própria, e a Alex van Heeren Cottage, a maior da propriedade.
Mas o grande charme está nos detalhes. As refeições acontecem no lodge principal, e cada estadia inclui um jantar privativo num dos cantinhos escondidos da propriedade: pode ser a biblioteca da rainha, a adega de pedra com 4.500 garrafas ou o pomar cercado por sebes. Parece cena de livro… e é mais ou menos isso.
E tem umas regras que eu adoro: nada de TV nos quartos, nada de room service, e crianças só a partir de 10 anos. A ideia é justamente essa: sair do quarto, sentar perto da lareira e conversar.
O que mudou no centenário do Huka Lodge


Para comemorar os cem anos, o lodge passou por uma renovação cuidadosa, de NZ$ 25 milhões, e reabriu em março de 2025. A decoração ficou nas mãos de Virginia Fisher, a mesma designer que criou o estilo original do Huka nos anos 1980, o que explica por que tudo parece novo sem deixar de ser o Huka de sempre. Os jardins seguem sob o olhar da paisagista Suzanne Turley, também escolhida por Van Heeren lá atrás.
A chegada agora é pela River Room, com janelas do chão ao teto que emolduram o rio. No andar de cima do lodge principal surgiram dois salões reservados, The Loft e Piper Room, perfeitos para jantares íntimos e celebrações. E há um novo espaço de bem-estar em cabanas inspiradas nas baches, as casinhas de veraneio kiwi, com sauna, piscina de imersão aquecida, ducha gelada e salas de tratamento.
Uma novidade fresquinha: em março de 2026, a Baillie Lodges uniu seu portfólio ao da Tierra Hotels sob uma nova marca, a Beckons, com nove lodges na Austrália, Nova Zelândia, Chile e Canadá. Ou seja, o Huka agora é “irmão” do Longitude 131°, em Uluru e dos Tierra no Atacama e na Patagônia.
O resultado já rendeu reconhecimento. Na edição 2026 do Guia Michelin, o Huka Lodge manteve suas duas Chaves Michelin, distinção dada às estadias mais excepcionais do mundo. O lodge também está na Gold List 2026 da Condé Nast Traveler, e entrou, ao lado do Longitude 131°, na lista dos 100 melhores hotéis da Ásia-Pacífico da Tatler.
Huka Falls: o espetáculo vizinho

Huka quer dizer “espuma” em te reo Māori, e basta ver as cataratas para entender o nome. O Waikato, o rio mais longo da Nova Zelândia, nasce no lago Taupō, que ocupa a cratera de um antigo supervulcão. Pouco depois, ele se espreme num cânion estreito e despenca em forma de espuma branca sobre um azul-turquesa impossível. O barulho da água acompanha o lodge dia e noite.
O que fazer em Taupō, muito além da pesca
Durante muito tempo, Taupō foi sinônimo de truta. Hoje, a cidade também virou destino gastronômico. O restaurante Embra foi eleito o Restaurante Regional do Ano de 2024 pelo Cuisine Good Food Awards e, em 2025, recebeu dois “chapéus”, honraria que só cerca de 32 restaurantes do país têm. Curiosidade boa: o nome vem de Edimburgo. O chef Phill Blackburne, nascido em Taupō, aprendeu o ofício na capital escocesa, e Embra é o apelido local da cidade. No cardápio, pratos sazonais como paua (o abalone neozelandês). Há ainda o festival Treats of Taupō, que celebra produtores locais como a Tui Street Gin, destilada com harakeke, o linho nativo que os Māori tecem há séculos.
Para quem gosta de aventura, a região oferece pesca com mosca, rafting, cavalgadas, passeios de helicóptero sobre o planalto vulcânico e até esqui na temporada de inverno. Na reabertura, o lodge também lançou experiências novas, como uma escapada gastronômica de helicóptero até a vinícola Craggy Range e um dia de cultura e aventura em Rotorua.
Como chegar ao Huka Lodge e quando viajar

Para quem sai do Brasil, o caminho mais prático para a viagem para a Nova Zelândia passa pelo Chile: a LATAM mantém voos diretos entre Santiago e Auckland na temporada de verão 2026/27, com conexões a partir de São Paulo, Rio e outras capitais brasileiras.
De Auckland, o Huka Lodge fica a cerca de três horas de carro, ou bem menos de helicóptero, que é o jeito preferido de muitos hóspedes. De avião, o aeroporto de Taupō está a uns 15 minutos. Vale ficar pelo menos três noites para aproveitar sem pressa.
Sobre a época: viajar para a Nova Zelândia em março ou abril é uma delícia, com o outono pintando os jardins e menos movimento que no alto verão. Entre dezembro e fevereiro, o clima é o mais quente, mas também a temporada mais disputada, e com tão poucas suítes vale reservar com seis a nove meses de antecedência. Já viajar em julho ou agosto combina lareira, termas e neve nas montanhas vulcânicas vizinhas.
Vamos desenhar a sua viagem?
O Huka Lodge combina lindamente com um roteiro pela Nova Zelândia que passe por Auckland, Waiheke, as vinícolas de Central Otago e o céu estrelado de Takapō. Nos chame no WhatsApp e a gente monta cada detalhe pra você.