Cleanup Day: a importância de cuidar dos oceanos e do meio ambiente
Há lugares que parecem infinitos. O mar é um deles.
Talvez por isso seja tão fácil esquecer que, por trás de uma paisagem azul que se estende até o horizonte, existe um ecossistema delicado, cheio de relações que sustentam a vida muito além da costa. O oceano regula o clima, abriga uma enorme diversidade de espécies e sustenta comunidades e economias em diferentes partes do mundo.
É por isso que, em setembro, a Terramundi estará em Ilhabela, no litoral de São Paulo, para participar da Blue Mission, uma ação de limpeza dos oceanos promovida pela OceanoSub durante o World Cleanup Day.
Mais do que um dia de mobilização, a iniciativa representa uma escolha: transformar o desejo de conhecer o mundo em responsabilidade por aquilo que nos faz querer conhecê-lo.
O que é o World Cleanup Day?

O World Cleanup Day, ou Dia Mundial da Limpeza, é um movimento global que reúne pessoas em diferentes países em torno de uma ação simples: sair às ruas, praias, parques, rios e outros espaços naturais para recolher resíduos e chamar atenção para o problema do lixo.
Em Ilhabela, a mobilização acontece por meio da Blue Mission, reunindo mergulhadores e voluntários em um mutirão na Praia do Portinho, no sul da ilha.
A ação acontece em dois ambientes: na areia e dentro d’água. Ao final, todo o material recolhido é pesado.
Ao transformar o que foi retirado do ambiente em números, a iniciativa torna visível o impacto de uma mobilização coletiva. O que poderia parecer apenas uma pequena ação ganha outra dimensão quando conseguimos medir o resultado.
Por que a conservação dos oceanos importa?

O oceano ocupa mais de 70% da superfície do planeta, funciona como um dos principais reguladores do clima e é fundamental para a alimentação, a economia e a vida de milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, os oceanos enfrentam uma combinação de pressões: poluição por plástico, aquecimento, acidificação, perda de biodiversidade e sobrepesca estão entre os desafios que ameaçam a saúde dos ecossistemas marinhos.
E o problema do lixo no mar começa, muitas vezes, bem longe dele.
Um plástico deixado em uma rua pode chegar a um rio. Um resíduo levado pela chuva pode alcançar a costa. Uma escolha aparentemente pequena pode fazer parte de uma cadeia muito maior.
Quando a viagem encontra a conservação
O oceano é um dos nossos principais ativos e também um dos ambientes que mais despertam o desejo de explorar o mundo.
Grande parte das experiências que fazem alguém sonhar com uma viagem nasce justamente dessa vontade de estar perto da natureza: conhecer uma ilha, navegar por águas desconhecidas, observar animais marinhos, descobrir uma praia escondida ou simplesmente contemplar o horizonte.
Por isso, acreditamos que cuidar do oceano faz parte da nossa responsabilidade enquanto marca de viagens.
A escolha de uma hospedagem, por exemplo, pode favorecer iniciativas que investem em conservação ambiental, redução de resíduos, tratamento de água, proteção da fauna e envolvimento das comunidades locais. A própria Organização das Nações Unidas reconhece que o turismo sustentável pode contribuir para a conservação da natureza e para o uso responsável dos oceanos e recursos marinhos.
É por isso que, para nós, escolher onde ficar também pode ser uma escolha sobre que tipo de relação queremos estabelecer com o lugar.
Hotéis que fazem da conservação parte da experiência
Algumas hospedagens ao redor do mundo mostram que cuidar do ambiente não precisa aparecer como um discurso separado da experiência. Em certos lugares, está na arquitetura, na gestão dos resíduos, na relação com a comunidade ou na própria maneira como o viajante conhece o destino.
Soneva

Nas Maldivas, onde o mar está literalmente por todos os lados, a relação entre turismo e conservação ganha outra dimensão.
O projeto Soneva Namoona Baa, desenvolvido pelo grupo Soneva, nasceu justamente para enfrentar um dos problemas mais visíveis do arquipélago: o uso e o descarte de plástico. A iniciativa trabalha com redução, reciclagem e reaproveitamento de resíduos, além de envolver comunidades locais.
Finch Bay Galápagos

Em Galápagos, a própria existência da viagem depende da preservação de um território extraordinário.
O Finch Bay Galapagos Hotel trabalha com uma operação de carbono neutro e mantém programas educativos voltados à sustentabilidade para hóspedes, equipe e comunidades locais. A proposta se conecta ao cuidado com o patrimônio natural e cultural do arquipélago.
Six Senses Zil Pasyon

Em Seychelles, o Six Senses Zil Pasyon ocupa menos de um terço da ilha de Félicité. O restante permanece como floresta, formações de granito e trilhas.
É uma escolha que diz muito sem precisar de grandes explicações: em vez de ocupar toda a paisagem, a arquitetura procura se esconder nela. O hotel também desenvolve ações de conservação, entre elas iniciativas relacionadas às tartarugas-de-pente.
COMO Uma Canggu

Em Bali, o COMO Uma Canggu traz outro tipo de exemplo. O resort possui certificação EarthCheck Silver, trabalha com ingredientes produzidos localmente, mantém sistemas de reciclagem de água e transforma resíduos orgânicos em biogás.
São medidas que lembram que turismo responsável não acontece apenas em lugares remotos. Ele também pode estar presente em uma hospedagem inserida em um destino bastante conhecido.
O que podemos fazer para ajudar a conservar os oceanos?

Não existe uma única atitude capaz de resolver um problema tão amplo. Mas existem escolhas que, somadas, ajudam a mudar a relação que temos com os lugares.
Durante uma viagem, isso pode começar por coisas simples:
- reduzir o consumo de plásticos descartáveis;
- levar sua própria garrafa reutilizável;
- não deixar resíduos em praias, trilhas ou áreas naturais;
- respeitar a distância de animais marinhos e outros animais silvestres;
- escolher operadores e hospedagens que demonstrem práticas responsáveis;
- participar de ações locais de limpeza e conservação;
- respeitar as comunidades e modos de vida dos lugares visitados.
Um jeito diferente de olhar
Talvez conservar seja, antes de tudo, uma forma de reconhecer o valor daquilo que amamos.
A gente viaja porque quer ver mais, sentir mais, conhecer lugares que ainda não fazem parte da nossa história. E o oceano está presente em muitas dessas descobertas.
Por isso, estar em Ilhabela para a Blue Mission é também reafirmar algo em que acreditamos: não basta desejar conhecer o mundo. Precisamos ajudar a cuidar dele.
Em setembro, estaremos na Praia do Portinho, junto à OceanoSub, aos mergulhadores e aos voluntários, fazendo parte desse movimento.
Para nós, viajar além do destino também é entender que cada lugar que nos encanta merece continuar existindo.