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Turismo sustentável: como você pode viajar fora da caixa!


terramundi - 26 de março de 2018 - 0 comments

Quando pensa em turismo sustentável, o que vem à sua mente? Ecoturismo? Safári? Um lodge eco-chic? Certo, afinal tudo está ligado ao respeito à natureza e à biodiversidade. Só que resumir o conceito ao que tem “eco” no nome ou nas entrelinhas é deixar escorrer entre os dedos boa parte do “sustentável”. Estamos sim falando da não-exploração de animais para fins turísticos, e da preservação das espécies, mas também de valorizar cultura e comunidades, priorizando produtos locais – que tal? Ou de ir além do que já está visitado demais, priorizar hospedagens que impactem menos no meio ambiente, e até de repensar o que comer. De fazer viagens fora da caixa – o que é muito mais fácil do que parece, através de escolhas conscientes e transformadoras.

 

Para isso, só é preciso descortinar o turismo sustentável, que tem sido relacionado ao ecológico e, quase sempre, a custos desnecessários. É comum associá-lo a uma eco-viagem cara que vale a pena, mas, acredite: viagens sustentáveis são acessíveis e ressignificam o luxo – levando o viajante ao encontro do que realmente importa e beneficiando o lugar e as pessoas que permitiram a experiência. O que isso quer dizer? Que todos podem viajar assim, personalizando o roteiro de acordo com a sua realidade e a do planeta, reduzindo o  impacto e colaborando com o futuro! Não é questão de “não fazer”, mas de “fazer a coisa certa”. Como? Anota aí =)

Privilegiando a experiência

 

Ao invés de focar no destino, uma boa dica é pensar nas vivências que ele está trazendo. A ideia é considerar não só os atrativos locais e sim a oportunidade única de estar naquele ambiente, respirando a cultura, a história e a essência que habitam ali. Observar os moradores, a rotina deles e refletir sobre como se sentem com a presença dos viajantes é uma boa maneira de ter a melhor postura para com o lugar e ajudar a garantir um turismo que “que pode ser sustentado” ao longo do tempo.

Consumindo localmente

Não se trata de consumismo e na verdade está bem longe disso. A sugestão aqui é priorizar o consumo local, ou seja: comprar no destino o máximo possível de forma que atenda às suas necessidades reais e ao mesmo tempo ajude a economia regional. O consumo abrange aproveitar as oportunidades de entretenimento autênticas ou, por exemplo, perguntar se o restaurante oferece alimentos e bebidas oriundos de lá. Isso tudo culmina em uma trajetória infinitamente particular, aumentando o contato espontâneo e saudável com o lugar – que irá envolver você com o que ele tem de melhor!

Fazendo viagens vegetarianas

home comendo refeição vegetariana

 

Você não precisa necessariamente ser vegetariano ou vegano, mas pode se abrir para uma experiência reveladora em uma viagem gastronômica com pegada diferente e consciente, afinal, como se sabe, refeições vegetarianas e veganas trazem muitos benefícios para a saúde, para os animais e para a humanidade. E há sabores únicos que só se descobre abrindo mão das carnes! Viajar por esta estrada culinária, uma tendência para 2018 segundo a Lonely Planet, pode ser surpreendente, pois mais e mais restaurantes aderem a um cardápio inovador e delicioso dentro dessa linguagem, assim como hotéis, festivais e etc.

Escolhendo hospedagens “verdes”

Você já pensou em como os hotéis representam uma enorme oportunidade de sustentabilidade visto que funcionam 24 horas por dia sete dias por semana, tendo maior chances de economizar (ou gastar) recursos? Pois é. O bacana é que, para a indústria hoteleira, aderir a práticas ecológicas e sustentáveis – da construção à operação – traz retorno em grande escala, o que colabora para que a construção ecológica venha aumentando no setor, totalizando 25% dos novos empreendimentos. Ajuda o fato de que o mercado da hospitalidade reconhece o novo comportamento do cliente, que busca cada vez mais avaliar a sustentabilidade de onde vai. Não à toa, hospedagens estão admitindo e abraçando a ideia de que a construção ecológica/sustentável melhora o lucro da empresa, do meio-ambiente e dos clientes! O futuro está em ecolodges ou hotéis que priorizem o conforto e ao mesmo tempo integrem-se à natureza com o menor impacto possível, pode apostar.

Respeitando os animais

mulher imitando girafas na savana

 

Em uma viagem sustentável, não há exploração de animais, e sim a observação deles de forma correta, o que contribui para a preservação dos mesmos em seu habitat natural: há diversas ONGs, reservas e hotéis que mantém programas voltados a esse objetivo. Na África, muitos lodges encaixam-se no cenário selvagem de forma harmoniosa, proporcionando aos hóspedes o contato espontâneo com animais sem prejudicar a fauna. O Sandibe Okavango Safari Lodge, na Namíbia, renovado com materiais biodegradáveis, painéis solares, sem uso de cimento e sem impactos ambientais, mostra o resultado: elefantes, hipopótamos, leões e leopardos continuam a viver ali. Outros exemplos de hospedagens nesse sentido: o Oceana, o Founders Lodge e o Rhino Ridge, que trabalham na importante proteção de rinocerontes (o último rinoceronte branco morreu há pouco) ou o Camp Jabulani, na África do Sul, que tem em seu DNA um lindo trabalho com os elefantes.

Usando menos de tudo

Não é o caso de injetar um certo nível de desconforto ao roteiro, mas de se sentir confortável impactando menos por onde passar. Por que deixar as toalhas para lavar todos os dias se podemos usá-las novamente? Parece pouco, mas a medida reduz drasticamente a quantidade de litros de água utilizada e permite que o hotel redirecione o capital para projetos sustentáveis voltados à comunidade local. O segredo aqui é o bom, velho e necessário bom-senso: desligue as luzes, não desperdice comida, evite criar lixo extra, leve sua garrafa de água reutilizável nos passeios.

Pensando no aspecto social

 

A indústria hoteleira pode ser fundamental para a economia local, como na costa oeste da África do Sul, em uma reserva natural onde a escola Elizabethfontein recebe o apoio do Bushmans Kloof Wilderness Reserve, o maior empregador de lá. É bem bacana saber que um hotel beneficia a comunidade! E os visitantes também são beneficiados; melhor atendidos por funcionários satisfeitos e interessados em promover a história, as tradições e a gastronomia da terra deles, como aponta a Relais & Chateaux Magazine: “Todos contribuem de forma muito valiosa, garantindo que os hóspedes não permaneçam desconectados da realidade local”.

Viajando fora do “senso comum”

Quando falamos de destinos fora do comum, fica subentendido algum lugar extraordinário, é verdade. Mas, para além disso, pensemos em um destino fora do convencional, do usual, da bolha.  Não há nada mais saboroso para um viajante do que explorar o inexplorado! Visitar lugares que, por variadas razões, parecem ter sido descobertos só agora (como é o caso das Praias de Moçambique) é uma vivência preciosa e original, além de respeitosa para com a mãe natureza, evitando o turismo excessivo em lugares populares.

Inspirando-se

paisagem metade embaixo d'água e metade da ilha para cima

 

Que tal descobrir destinos onde a sustentabilidade não é só meta, mas já parte da realidade? As Ilhas Seychelles, chamadas de “laboratórios da evolução” têm na Ilha do Norte o cenário perfeito para a conservação da Arca de Noé. A North Island comemora 21 anos de ecoturismo sustentável com 30% do território reabilitado e deve inaugurar um novo Centro de Meio Ambiente no final de 2018. A ilha restaurou a biodiversidade com a plantação de milhares de árvores e palmeiras, incluindo espécies raras como o icônico “Coco-de-mer”. E o resultado foi a recolonização de pássaros tropicais e aves marinhas como Andorinhas Brancas. É uma das ilhas mais puras das Seychelles, tem hospedagens criadas a partir de materiais colhidos durante a reabilitação das ilhas e lidera novas iniciativas de conservação: este ano ela é plástico-free e passou a “recusar canudos”.

Mudando a chave

Até pouco tempo não havia tamanha consciência, mas agora há informações, debates e esforços que trazem a sustentabilidade à tona com a força que ela merece. Exemplo disso é que 2017 foi designado o Ano Internacional do Turismo Sustentável para Desenvolvimento das Nações Unidas. Ou seja, literalmente já passou da hora de repensarmos as viagens,tornando o turismo sustentável economicamente viável, culturalmente aceito e universalmente praticado”, como sugeriu Michael Moller, diretor-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra no encerramento oficial do movimento global.

Personalizando o roteiro

Planejar um roteiro sob medida, de acordo com o perfil do viajante, o momento da viagem e as possibilidades do local é essencial para colocar em prática o conceito de turismo sustentável. Esse planejamento cuidadoso, personalizado e amplo é o que permite concretizar essa experiência transformadora, afinal nada como ter as informações adequadas sobre hospedagem, passeios, povo, cultura, gastronomia – tudo o que influencia diretamente na vivência que você terá!

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