Do Brasil à Nova Zelândia, o encanto das cidades pequenas
A percepção do tempo e a busca pelo presente
Ruas de paralelepípedos, moradores acolhedores, hotéis boutique que transmitem a sensação de “estar em casa, fora de casa”, arquitetura colonial, natureza exuberante… O tempo nas cidades pequenas é diferente. Corre devagar. E em todos os cantos do mundo, há uma pequena cidade esperando para ser descoberta, seja um vilarejo histórico ou uma comunidade cosmopolita.
Selecionamos alguns desses lugares para você pensar na sua próxima viagem:
Gokayama, Japão

Escondida nas montanhas, bem no centro do Japão, a vila de Gokayama, classificada pela UNESCO (junto com sua vila gêmea, Shirakawa-go, a cerca de 30 minutos de carro) é quase pacífica e pitoresca demais para ser descrita. Casas de palha, bosques de amoreiras, flores de cerejeira na primavera ou montes de neve no inverno.
Bled, Eslovênia

O lago, com suas águas cor de esmeralda, é o símbolo da cidade, mas caminhar ao redor da ilhota, conhecer a igreja barroca de Assunção, explorar o castelo do século 12, que hoje é um museu, e terminar o dia em um restaurante à luz de velas, faz com que Bled seja o destino perfeito para quem busca história, beleza natural e… a sensação de parar no tempo.
Salta, Argentina

Só quem pisa em Salta entende o porquê de a pequena cidade do norte da Argentina ser conhecida como “La Linda”. Seus arredores mesclam montanhas de tons avermelhados com tradição indígena e bons vinhos Torrontés.
Itchan Kala, Uzbequistão

A cidade perfeitamente preservada é o centro de Khiva, protegido por paredes de tijolos e repleto de belas mesquitas antigas. Já foi uma parada importante na Rota da Seda e agora funciona como um museu ao ar livre, embora cerca de 300 famílias ainda a chamam de lar.
Kaikoura, Nova Zelândia

Conhecida pela presença constante de baleias e golfinhos em suas águas costeiras, a pequena cidade da Ilha Sul combina natureza exuberante, atividades ao ar livre e um ritmo ideal para viajar em família.
Lauterbrunnen, Suíça

Você provavelmente não ficaria surpreso ao saber que J.R.R. Tolkien usou a cidade alpina como inspiração para o vale fictício de Valfenda em O Senhor dos Anéis. Precisa de mais convencimento? A cidade e seu vale circundante abrigam mais de 70 cachoeiras, algumas das quais estão entre as mais altas da Europa.
Luang Prabang, Laos

Entre o Mekong e o Khan, Luang Prabang se estende em um ritmo sereno. Monges de trajes alaranjados cruzam as ruas ao amanhecer, enquanto a cidade revela, com naturalidade, o encontro entre suas raízes asiáticas e a herança deixada pelos colonizadores franceses.
Mandawa, Índia

Localizada ao norte de Jaipur, Mandawa é um dos lugares mais bonitos do Rajastão, marcada por antigos fortes, mansões haveli e murais históricos. Para se sentir como um rei ou uma rainha, o Mandawa Kothi oferece acomodações palacianas, refeições personalizadas e serviço impecável.
Sapa, Vietnã

Sabe aquelas imagens clássicas do Vietnã, de agricultores com seus chapéus típicos trabalhando em campos de arroz? São cenas cotidianas na linda região de Sapa, na província de Lao Cai. Nas montanhas de terraços verdes, o modo de vida agrário permanece intocado. As estradas e comunidades tradicionais podem ser visitadas de bicicleta e de scooter, e imersões maiores acontecem nas caminhadas pelo belo Vale de Muong Hoa e rumo a cachoeiras como a de Thac Bac. No vilarejo de Sapa, traços característicos da colonização francesa estão presentes na catedral gótica e na deliciosa gastronomia local.
Viajar por vilarejos é, antes de tudo, um exercício de presença.
Um convite para desacelerar, observar o cotidiano com mais atenção e perceber que o luxo, muitas vezes, está no ritmo — e não no excesso.
Em cidades pequenas, o tempo deixa de ser algo que escapa e passa a ser algo que se deixa sentir.
Talvez seja isso que nos atraia: a possibilidade de estar inteiro, mesmo que por alguns dias.
Tempo, tempo, tempo… que sejas ainda mais vivo.