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Etiópia: uma jornada pela história da humanidade


terramundi - 7 de novembro de 2017 - 0 comments

Há mais de 3 milhões de anos nossa ancestral mais antiga já encontrada viveu em meio às cênicas montanhas etíopes. Ainda hoje, conseguimos ver na terra de Lucy marcas da evolução da humanidade em sítios arqueológicos, tribos ancestrais, ruínas de civilizações antigas, igrejas escavadas em montanhas, castelos medievais e até mesmo nas modernas e cosmopolitas cidades, como a capital Adis Abeba!

Com uma riqueza histórica e cultural gigantesca e um povo simpático e receptivo, que sente orgulho do país ter sido o único a resistir à colonização europeia, a viagem à Etiópia guarda tesouros pouco conhecidos pelos viajantes.

 

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Igreja Entoto Maryam em Addis Abeba

Modernidade e ancestralidade

Conhecida como “Leão Africano”, a Etiópia cresceu muito economicamente na última década, o que refletiu na sua estabilidade política e em suas cidades, que hoje possuem uma ótima infraestrutura e efervescente vida urbana.

No entanto, basta se afastar dos grandes centros urbanos para a incrível Etiópia histórica se revelar entre lendárias igrejas ortodoxas e uma profusão de tribos que se mantém inalteradas por séculos.

A cosmopolita Adis Abeba

Ao sair do Aeroporto Internacional Adis Abeba Bole, você irá se deparar com uma cidade vibrante e movimentada, com prédios altos, shoppings e uma boa infraestrutura urbana. A capital conta com uma riquíssima cena cultural, o que a levou a ser indicada pelo New York Times, em 2014, como um dos 15 melhores destinos a serem visitados.

Festivais de fotografia, jazz, cinema e exposições de arte contemporânea são presenças constantes em Adis Abeba. Entre os passeios culturais, a visita ao Museu Nacional – onde estão os fósseis dos nossos primeiros ancestrais, Lucy, Ardi e Salam – ainda é o que mais impressiona.

 

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Visão aérea de Addis Abeba

As igrejas entalhadas em pedra de Lalibela

Invisíveis para quem as observa de longe, as monumentais igrejas de Lalibela surgem em enormes buracos no chão. Esculpidas pelas mãos de talentosos artesãos etíopes, os blocos maciços de rocha vulcânica foram transformados em torres, portas, janelas e ornamentos, como o Templo de São Jorge com o formato de uma cruz grega. A imagem impressiona, pois não há nada parecido em todo o mundo!

As igrejas, que tornaram Lalibela na Jerusalém etíope, foram construídas no século XII em um período de 23 anos. Uma lenda diz que durante a construção os homens trabalhavam ao longo do dia e quando dormiam, os anjos tomavam os seus lugares. Hoje elas constituem um Patrimônio Cultural da Humanidade protegido pela UNESCO.

 

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Igreja entalhada na pedra em Lalibela

Templos de Bahir Dar

Construída às margens do Lago Tana, o mais importante de toda Etiópia e uma das nascentes do Rio Nilo, Bahir Dar é conhecida como a cidade dos templos, pelo grande número de monastérios encontrados na região. Além disso, abriga as surreais Cascatas do Nilo Azul, uma queda d’água de 45 metros de altura.

Desconhecidos pelo restante do mundo até o século passado, o isolamento e silêncio vivenciado nos monastérios do Lago Tana trazem um sentimento de paz e tranquilidade a todos os viajantes. As igrejas fascinam pelo contraste entre a simplicidade das construções de pau a pique e adobe e a beleza das imagens que ornamentam as paredes com passagens bíblicas.

 

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A tranquilidade dos templos de Bahir Dar

Castelos de Gondar

Uma das paisagens mais surpreendentes de toda a visita, o Complexo de Castelos de Arquitetura Medieval em Gondar, conta a história de uma cidade que foi o centro comercial de um grande Império, cujo auge aconteceu entre os séculos XVI e XVII.

As primeiras construções do complexo foram realizadas durante o governo de Rei Fasilides, quando ocorreu uma aproximação do país africano com a Europa, principalmente Portugal, o que acabou influenciando na arquitetura utilizada para erguer os castelos. Além das fortalezas, a piscina do rei surpreende com seu espaço para banho de 2.800 metros quadrados cercado por um muro de pedra com seis torres.

 

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Castelos medievais em Gondar

Belezas naturais

Assim como a visita a outros países africanos, a natureza selvagem da Etiópia é uma atração à parte. Em uma área de 2.220 km2, o Parque Nacional Mago abriga uma rica fauna com cerca de 56 espécies de mamíferos, entre eles girafas, zebras, elefantes e leões. No Parque Nacional Abijatta-Shalla os principais atrativos são os lagos da região e as milhares de aves que os habitam, inclusive as colônias de até 300 mil flamingos. O Lago Chamo, em Arba Minch, também encanta com sua vida natural, onde podem ser avistados hipopótamos e crocodilos.

 

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Vida selvagem na Etiópia

Vale do Omo e as tribos da Etiópia

Em harmonia com a sua versão mais moderna, o interior da Etiópia preserva tribos praticamente intocadas pela passagem dos séculos. A maioria delas está espalhada pelo Vale do Omo, região ao sul do país. As etnias são bastante receptivas com os viajantes, que podem circular livremente pelos vilarejos, fotografar e conversar com seus membros. As tribos etíopes mais famosas são:

Etnia Dorze

Famosos por seu mercado semanal e casas singulares fabricadas com bambu, que formam cúpulas de até 6 metros cujo interior espaçoso sempre têm um fogo acesso para cozinhar e aquecer o ambiente. Mestres no tear tradicional, também são conhecidos por confeccionarem suas próprias roupas coloridas com padrões geométricos, produção que é exportada para todo o país e que inspira a moda mundialmente.

 

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Mulher da tribo Dorze segurando um cesto de algodão

Etnia Hamer

A etnia conserva costumes, crenças e idioma ancestrais, com destaque para os rituais únicos como o Ukuli Bula, que contém o salto dos bois, a entrega do Boko e a dança Evangadi. Seus habitantes são muito hospitaleiros e as mulheres Hamer surpreendem com sua beleza, adornadas com cabelos grossos de cor ocre, peles e braceletes.

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Mulher da tribo Hamer

Etnia Daasanach

O povoado de Daasanach fica às margens do Rio Omo. Regidos por um grupo de anciões chamados de Ara, responsáveis por todas as decisões importantes da tribo, compõem uma sociedade patriarcal. São um povo pastoril e praticam a reciclagem de materiais ditos como lixo para produzir lindos acessórios para a cabeça.

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Representante da tribo Daasanach

Etnia Mursi

Uma das etnias mais conhecidos do Vale, onde as mulheres ornamentam os lábios inferiores ou orelhas com enormes discos de madeira, o que resulta em um visual único e impactante. Povo dedicado ao pasto e cultivo de milho, além da caça, que também é uma atividade importante para a tribo.

Integrante da tribo Mursi com lábios ornamentados por um disco

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