O livro que virou parque, o parque que virou projeto de hospitalidade
A Pousada Trijunção, localizada no cenário que inspirou Grande Sertão: Veredas, oferece uma imersão no Cerrado preservado, unindo natureza, cultura e conservação em uma das regiões mais emblemáticas do Brasil.

Índice
Veredas: o que é o sertão, afinal?
Guimarães Rosa deu pistas. “Sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar.” Disse também que “o sertão é dentro da gente” – uma resposta que, dependendo do dia, soa como filosofia ou como esquiva. Mas há uma terceira resposta, mais concreta e mais bela: o sertão é um lugar físico, com coordenadas, fauna, flora, veredas e paredões de arenito vermelho. E esse lugar existe. Tem nome. Tem parque. E tem a Pousada Trijunção.
O parque que nasceu do livro

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas foi criado em 1989, mais de três décadas depois da publicação do romance. Não por acaso: a obra de Rosa tornou aquela região inesquecível antes mesmo que ela tivesse proteção oficial. O parque preserva mais de 230 mil hectares de Cerrado no noroeste de Minas Gerais — campos, veredas, buritis, chapadas. Os mesmos que Rosa descreveu com uma precisão que só quem amou de perto consegue ter.
“Os lugares mais altos, nas chapadas, esses gerais têm outro figurado. Infinitamente.”
Quem visita entende.
A fazenda que escolheu resistir




A Fazenda Trijunção nasceu em 1995 com uma premissa que, naquela época, soava quase ingênua: provar que produção e conservação podem coexistir. Hoje, 90% de seu território está preservado. Vinte e oito mil hectares formam um corredor ecológico direto com o Parque Nacional, garantindo que as espécies do Cerrado circulem livres entre as duas áreas.
É nessa fazenda que a Pousada Trijunção recebe seus hóspedes, no único ponto do Brasil onde Bahia, Goiás e Minas Gerais se encontram numa mesma fronteira.
O que Rosa não viveu para ver


Rosa morreu em 1967, dois dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras. Não viveu para ver o parque que carrega o nome de seu livro, nem para conhecer a Trijunção. Mas deixou uma bússola.
“Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas.”
É isso que acontece quando você passa dias ali: o ritmo muda. O corpo aprende outro compasso. O safári ao amanhecer com o projeto Onçafari, o birdwatching com um biólogo antes do sol nascer, o café da manhã à beira da Lagoa das Araras, o churrasco de costela assado em fogo de chão desde o início da tarde — tudo conspira para que a cabeça pare de correr e passe a observar.
O que a National Geographic viu

Em 2025, a lista Best of the World da National Geographic incluiu o Cerrado e a Pousada Trijunção entre os 25 melhores destinos do planeta.
“Ah, mas falo falso. O senhor sente? Desmente? Me dê sua mão.”
Vá até lá. Depois a gente conversa.





