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Pantanal: o safari que o Brasil ainda guarda como segredo


terramundi - 18 de maio de 2026 - 0 comments

O maior santuário de onças-pintadas do mundo fica no Brasil — e a maioria dos viajantes ainda não descobriu.

Há viajantes que já percorreram a savana do Masai Mara, navegaram o Delta do Okavango, esperaram o amanhecer em silêncio num hide na Namíbia. Que conhecem aquela euforia específica de ouvir o silêncio antes de um animal surgir. Para esse perfil de viajante, existe uma pergunta que raramente se faz (mas que deveria): e o Brasil?

O Pantanal, com 210 mil km²,  o equivalente à soma das áreas de Bélgica, Suíça, Portugal e Holanda, é a maior área úmida continental do planeta. Declarado pela UNESCO, em 2000, como Reserva da Biosfera Mundial, foi também reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade e Patrimônio Nacional pela Constituição brasileira. Um bioma que acumula títulos mas que, na prática, recebe uma fração dos visitantes que destinos africanos de menor biodiversidade atraem todo ano. 

O pulso das águas

O que torna o Pantanal singularmente vivo é um fenômeno chamado pulso das águas. Durante o período chuvoso, os rios transbordam e a água se espalha pela planície, ocupando até dois terços do bioma, chegando a receber 180 milhões de litros por dia, o equivalente a 72 piscinas olímpicas. 

O ciclo é preciso e radical. Durante a seca, a água que inundava a planície se concentra em pequenas poças, e os mamíferos saem em busca de alimento e se amontoam para matar a sede. As aves entram na estação de acasalamento com plumagem exuberante. As árvores perdem as folhas para economizar água e o que antes era verde e exuberante se torna marrom e árido. 

Na cheia, as plantas revigoradas voltam a produzir folhas, tudo fica verde novamente. As terras mais baixas são tomadas por um espelho d’água. Os mamíferos se movem para lugares mais elevados, deixando os campos alagados para cegonhas, patos, jacarés e peixes. 

Cada estação entrega um Pantanal diferente. 

A onça-pintada 

 

O Pantanal abriga a maior população mundial desta espécie em um único bioma. Esse número não é obra do acaso. O ciclo hídrico garante uma oferta constante de alimento (jacarés, capivaras), sustentando uma população robusta. E diferente da Amazônia, a paisagem aberta do Pantanal permite que a onça utilize as margens dos rios e praias de areia para caçar e descansar. A onça pantaneira é ainda uma nadadora exímia, usa os rios como rotas de deslocamento, o que torna o safári fluvial a maneira mais eficaz e emocionante de encontrá-la. 

Os povos que habitam este território há milênios

Foto divulgação Pantanal River Cruise

Muito antes de qualquer câmera fotográfica, o Pantanal já era habitado por povos que desenvolveram com ele uma relação de escuta e respeito. Os Guató são considerados o povo do Pantanal por excelência, e ocupavam praticamente toda a região sudoeste do Mato Grosso, em terras que hoje pertencem também ao Mato Grosso do Sul e à Bolívia. 

Para os Guató, matar uma onça-pintada significava derrotar um animal muito mais forte que o homem, demonstrar coragem, conquistar prestígio e provar ser capaz de defender e sustentar a família. Os Guató navegavam em silêncio pelas águas, pescavam e caçavam apenas o necessário para sobreviver. Sua história ainda é contada  nas margens do rio e nos saberes que atravessam gerações. (Mas a caça já não é tão vangloriada assim. Que alívio!)

Uma biodiversidade que impõe silêncio

O Pantanal abriga mais de 650 espécies de aves, 260 de peixes e 80 de mamíferos. A lista inclui personagens improváveis: ariranhas, veado-catingueiro, jaguatirica, tamanduá-bandeira e aves migratórias vindas do Polo Norte que escolhem o Pantanal como escala de aquecimento. A estação cheia é o melhor período para a observação de aves; a seca, o ideal para ver mamíferos, especialmente a onça, que o recuo da água força a se expor mais. 

Quando ir  e qual Pantanal você quer encontrar

O Pantanal tem dois rostos e ambos valem a viagem:

Pantanal Norte (Mato Grosso):

o turismo se organiza ao redor da Estrada Transpantaneira, que vai de Poconé a Porto Jofre. É o território da onça. Porto Jofre é reconhecido como um dos melhores pontos de observação de onças no Pantanal pela sua localização estratégica na confluência dos rios Cuiabá e Piquiri. 

Pantanal Sul (Mato Grosso do Sul):

fica a Estrada Parque, com 120 km, em Corumbá, e há muitos atrativos dentro de fazendas. É o território do silêncio, das comunidades ribeirinhas, da cultura pantaneira em estado puro. 

A alta temporada vai de julho a outubro — a época seca, mais fácil de transitar e mais propícia para ver animais e aves. Mas quem visita durante a cheia encontra um Pantanal igualmente revelador: mais verde, mais aquático, com uma abundância de aves que deixa os ornitólogos sem palavras. 

Duas maneiras de conhecer o Pantanal, pelo olhar da curadoria Terramundi 

Para quem quer ir além do roteiro convencional, existem duas experiências que a Terramundi acompanha de perto e que entregam o Pantanal em dimensões que dificilmente se acessa de outra forma.

Caiman

Foto divulgação Casa Caiman

É o lodge de referência do Pantanal Sul, ativo desde 1985, foi  a primeira operação de ecoturismo do Pantanal de Mato Grosso do Sul. O verdadeiro diferencial da Caiman, além de suas instalações, está no acesso à vida selvagem. A estadia inclui safáris fotográficos em veículos 4×4, focagem noturna, canoagem e cavalgadas — tudo acompanhado por guias cuja qualidade é consistentemente citada por hóspedes como o que transformou a viagem. A propriedade de 53 mil hectares funciona também como reserva de conservação, apoiando o Projeto Onçafari e o Projeto Arara Azul. 

Pantanal River Cruise

Foto divulgação Pantanal River Cruise

Uma expedição fluvial intimista a bordo do AKAIA — uma embarcação com apenas 7 cabines e capacidade para 14 viajantes, que navega pelos rios Paraguai e Cuiabá ao amanhecer e ao entardecer, acompanhado por guia naturalista. A expedição dura 6 dias e 5 noites, em regime all-inclusive com gastronomia típica pantaneira, e integra o Pantanal Norte e Sul com passagem por três unidades de conservação. Além do avistamento das onças em Porto Jofre, o roteiro inclui dois momentos que merecem destaque: a trilha pela Serra do Amolar, Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, acessível a pouquíssimos viajantes e a flutuação nas águas cristalinas do Rio Paraguai-Mirim. 

Por que contar com a Terramundi?

Entender o seu perfil de viajante faz toda a diferença sobre qual roteiro fazer pelo Pantanal. Informações simples mas preciosas que guias experientes passam durante a viagem, cria um outro  nível de intimidade com o território. 

Se o Pantanal já está no seu horizonte é só falar com a gente. Temos muito mais para contar.

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