Guia de viagem por Yerevan: o que ver, onde ir e por que a capital da Armênia surpreende viajantes experientes
Museus instigantes, uma culinária que desperta alegria e vistas hipnotizantes do Monte Ararat.
Uma energia calorosa atravessa a capital armênia, intensificada ainda mais nos dias claros e sem nuvens, quando o Monte Ararat — onde, segundo a lenda, repousa a Arca de Noé — pode ser admirado de praticamente qualquer ponto da cidade. Pelas ruas, olhares sorridentes, restaurantes modernos e elegantes dividem espaço com acolhedores estabelecimentos tradicionais, monumentos da era soviética e catedrais milenares.
Mas, afinal, por onde começar? Depende do seu interesse. Neste roteiro por Yerevan, reunimos lugares ideais para quem busca se conectar com uma cultura mais familiar do que se imagina.
Uma dica? Comece pela culinária

Se há uma maneira mais reveladora de compreender a alma de um país, ela está na sua mesa. Em Yerevan, essa jornada começa com folhas de parreira recheadas (dolma), khorovats (churrasco local) e um pão sírio coberto com carne moída de cordeiro — herança da culinária árabe-armênia.
Para compensar a comilança, suba o Cascade Complex

O complexo é uma síntese de tudo o que Yerevan representa. Esculturas de Fernando Botero, Barry Flanagan e Jaume Plensa adornam o jardim de escadas que culmina no Terraço Monumental, de onde se tem a vista mais grandiosa da cidade. Caminhe sem pressa, sinta o ar e observe a relação viva que os armênios mantêm com sua paisagem.
Para não esquecer nunca: o Museu do Genocídio Armênio
É impossível compreender a identidade armênia sem visitar o memorial. A narrativa visual, construída com respeito e profundidade, revela a dor e a resiliência de um povo que precisou reconstruir-se inúmeras vezes. Ao final, a chama eterna cercada por doze lajes — em memória das províncias perdidas — deixa um silêncio reflexivo que acompanha o viajante por muito além da visita.
Um café entre história e design
Para processar tantas impressões, vale uma pausa no Lumen Coffee 1936. O prédio, que já foi tabacaria e livraria, hoje abriga uma das cafeterias mais charmosas da cidade — e é um exemplo perfeito de como Yerevan transforma passado em atmosfera.
Etchmiadzin e Zvartnots: dois templos, uma experiência espiritual
A cerca de 40 minutos dali, a cidade de Vagharshapat abriga a Catedral de Etchmiadzin, considerada a catedral cristã mais antiga do mundo. Construída no século IV, continua sendo local de peregrinação, com mosteiro ativo e museu repleto de relíquias.
No caminho, pare nas ruínas do Templo de Zvartnots, do século VII. Apesar do colapso no século X, suas colunas esculpidas ainda de pé emolduram perfeitamente o Ararat em dias de céu limpo.

Escreva seu nome na história
Poucos alfabetos possuem tanta simbologia quanto o armênio, criado por Mesrop Mashtots no século V. Suas letras — cada uma com valor numérico — são homenageadas no Eternal Alphabet Wall, uma instalação artística ao ar livre na avenida que leva o nome do próprio criador. Observe formas, detalhes e ornamentos — e, se quiser, tente soletrar seu nome ali.
Quando ir a Yerevan?
Os melhores períodos vão de abril a junho e de setembro a outubro, quando as temperaturas são amenas e a cidade assume tons floridos ou dourados, perfeitos para explorá-la a pé. O verão pode ultrapassar 35 °C, enquanto o inverno traz neve — ideal para quem busca introspecção e paisagens silenciosas.
Uma travessia silenciosa pela história do mundo
Viajar para a Armênia não é apenas descobrir um destino fora do radar. É entrar em contato com uma das civilizações mais antigas do planeta — e perceber que, às vezes, os lugares menos óbvios são justamente os que permanecem mais tempo dentro da gente.