Navegação Anavilhanas: dormir dentro do segundo maior arquipélago fluvial do mundo
A Expedição Katerre navega o Rio Negro até o Arquipélago de Anavilhanas em barcos regionais de até 3 andares. Conheça o roteiro, a fauna e a melhor época para essa imersão na Amazônia.
Existe uma estatística sobre o Rio Negro que ajuda a entender por que ele muda tanto de rosto ao longo do ano: entre a seca e a cheia, seu nível pode subir até 16 metros — mais do que a altura de um prédio de cinco andares. É essa variação brutal que transforma o Arquipélago de Anavilhanas em dois destinos completamente diferentes dependendo da época da viagem, e é exatamente por isso que navegar essa região exige mais do que reservar um barco: exige escolher o momento certo para o tipo de Amazônia que você quer viver.
Um arquipélago com mais de 400 ilhas
Localizado no baixo Rio Negro, a poucas horas de Manaus, o Parque Nacional de Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, reunindo mais de 400 ilhas e mais de 600 lagoas internas — atrás apenas do arquipélago de Mariuá, situado rio acima, também no próprio Rio Negro. Curiosamente, Anavilhanas nasceu em 1981 como Estação Ecológica, categoria restrita à pesquisa científica, e só se tornou Parque Nacional em 2008, uma mudança que abriu oficialmente a área para o turismo ecológico organizado e a infraestrutura que hoje sustenta as expedições fluviais.
Barcos de madeira que imitam os barcos de linha regionais


A Expedição Katerre, com sede em Novo Airão, opera roteiros de baixo impacto pela região desde embarcações inteiramente construídas em madeira de lei, entre 40 e 80 pés — desenhadas para reproduzir a sensação de viajar como fazem os próprios ribeirinhos, mas com conforto e serviço de bordo completo. O Jacaré Tinga, de 52 pés, acomoda até 8 passageiros em roteiros mais intimistas; já o Jacaré-Açu, embarcação premium de 64 pés e três andares, recebe até 16 pessoas com espaços amplos de convívio e lazer. Ambos operam com energia solar combinada a gerador, água do próprio rio filtrada para uso doméstico, e — detalhe que surpreende muita gente no meio da floresta — internet via satélite funcionando ao longo de boa parte do trajeto.
O fenômeno das águas que não se misturam
Praticamente todo roteiro começa pelo Encontro das Águas, onde o Rio Negro, escuro e ácido, corre lado a lado com o barrento Rio Solimões por mais de 9 km sem se misturar — resultado da diferença de temperatura, velocidade e densidade entre os dois rios. É um dos fenômenos naturais mais fotografados da Amazônia, e a partir dali a navegação segue Rio Negro acima, rumo ao coração de Anavilhanas.
Um rio que naturalmente repele mosquitos

Um dos detalhes menos esperados de navegar o Rio Negro é a quase completa ausência de mosquitos — resultado da cor escura da água, causada por taninos liberados pela decomposição vegetal da floresta alagada, os mesmos compostos presentes no chá preto. Essa acidez natural funciona como um repelente biológico, tornando a experiência de navegação e banho de rio muito mais confortável do que a maioria dos viajantes imagina antes de conhecer a região.
Botos, pirarucus e uma aldeia Tuiuka
Ao longo dos dias de navegação, os roteiros da Katerre incluem encontros com botos cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e tucuxi (Sotalia fluviatilis) em casas flutuantes apropriadas, visitas a um assentamento indígena onde é possível assistir a apresentações de dança e trocar palavras em língua nativa Tuiuka e Tukano, e a observação do pirarucu — o maior peixe de escamas do mundo, conhecido regionalmente como “o leão da Amazônia”. Passeios complementares levam à escalada de árvores gigantes no Rio Ariaú, trilhas aquáticas com pesca de piranha, focagem noturna de jacarés e caminhadas em floresta primária até lagoas internas do arquipélago — estas últimas, disponíveis apenas na época de cheia.
Dois roteiros, duas Amazônias

Além do circuito clássico de Anavilhanas, de 4 dias, a Katerre opera uma extensão de 5 dias rumo ao Parque Nacional do Jaú — uma das maiores unidades de conservação de água doce do mundo e Patrimônio Cultural da Humanidade, onde a expedição visita as Grutas do Madadá, a comunidade ribeirinha de Aturiá e a Samaúma, árvore símbolo da Amazônia. É a rota ideal para quem já conhece o essencial de Manaus e Anavilhanas e busca ir mais fundo na Amazônia remota.
Quando ir
Entre setembro e fevereiro, o Rio Negro entra em vazante e seca, revelando praias de areia branca entre as ilhas — o período ideal para banho de rio, contemplação e trilhas terrestres, com dias mais quentes e chuvas rápidas e pontuais. Já entre março e agosto, a cheia inunda parte da floresta e transforma os canais entre as ilhas em verdadeiras trilhas aquáticas, com a navegação avançando por entre copas de árvores parcialmente submersas — a época preferida de quem sonha com aquela imagem clássica de floresta refletida na água escura do rio. Vale um alerta prático: eventos climáticos extremos, como a seca histórica de 2023, podem afetar temporariamente a navegação em trechos secundários — os canais principais que dão acesso a Novo Airão, porém, nunca chegaram a secar completamente, o que mantém o turismo viável ao longo de todo o ano.
Por que essa é uma das formas mais completas de conhecer a Amazônia

Diferente de um passeio de um dia saindo de Manaus, dormir a bordo permite viver o amanhecer e o entardecer no meio do arquipélago — momentos em que a fauna se movimenta mais e a paisagem muda de cor a cada hora. É a diferença entre visitar a Amazônia e, de fato, navegar dentro dela por alguns dias.
Se a Expedição Katerre pelo Arquipélago de Anavilhanas despertou seu interesse, a equipe da Terramundi pode montar o roteiro completo, incluindo a extensão até o Parque Nacional do Jaú. Fale com a gente e comece a planejar.